10 cantigas de capoeira que você precisa conhecer

Grupo reunido em roda de capoeira em um galpão, adultos e crianças batendo palmas

Na capoeira, a música não é enfeite: ela conduz a roda, marca o ritmo do jogo e conta a história de um povo. Quem chega agora costuma ouvir nomes como ladainha, corrido, quadra e louvação sem saber exatamente a diferença. Esta lista reúne dez cantigas que já estudamos aqui no site, com o contexto de cada uma. Nenhuma letra é reproduzida: por respeito aos autores, indicamos apenas o sentido, a autoria quando há registro e onde ler cada texto.

Antes de começar: o que é ladainha, corrido e louvação

A ladainha é o canto longo, em geral solo, que abre a roda e conta uma história ou transmite um ensinamento. O corrido é o canto de resposta, curto, no qual o coro responde ao solista enquanto o jogo acontece. A louvação saúda Deus, os mestres e a própria roda, e termina com versos que sinalizam o começo do jogo. Com essa base, a lista fica mais fácil de acompanhar.

As 10 cantigas

1. Maior É Deus

Canto de fé atribuído a Mestre Pastinha e gravado em 1969. É um bom ponto de partida para entender como a espiritualidade aparece na capoeira de Angola. Leia a análise completa em Maior É Deus: o canto de fé de Mestre Pastinha.

2. Eu Já Vivo Enjoado

Ladainha atribuída a Mestre Pastinha, muito usada na roda de Angola. O texto discute autoria, tipo de canto e sentido, e traz um link externo para quem quer ler a letra oficial. Veja em Eu Já Vivo Enjoado, explicada.

3. Quando Eu Morrer

Cantiga ligada à memória de Besouro, com versões de Traíra e de Pastinha. Uma canção de 1968 também reaproveitou o tema, o que mostra como os cantos circulam entre a roda e a música popular. Leia a história completa.

4. Menino, Quem Foi Seu Mestre?

Ladainha gravada por Mestre Bimba, construída como um diálogo e que cita Salomão. É uma lição sobre linhagem: quem ensinou você, e de quem veio esse ensinamento. Mais detalhes em Menino, Quem Foi Seu Mestre?.

5. Dandara

Corrido que homenageia a guerreira de Palmares, mulher de Zumbi. O artigo separa o que a história registra do que pertence à tradição oral. Está em Dandara: o corrido que homenageia a guerreira de Palmares.

6. Zumbi Morreu

Corrido atribuído a Mestre Bigodinho, que conversa com o 20 de novembro e com a memória de Zumbi dos Palmares. Leia o contexto histórico e o que as fontes confirmam.

7. Aiê, O Berimbau, Aiê

Corrido que cita Ganga Zumba, Zumbi e a princesa Isabel, e serve de porta de entrada para falar da origem do berimbau. A análise está em Aiê, O Berimbau, Aiê.

8. Mercado Modelo

Corrido sobre o mercado de Salvador, com a história dos dois prédios e dos incêndios que marcaram o lugar. O texto também lista o que as fontes não confirmam. Veja Mercado Modelo: a cantiga do mercado de Salvador.

9. Pedrito vem aí

Cantiga de Rego sobre o delegado de Salvador, com referência ao toque de cavalaria. É um exemplo de como a capoeira cantou a perseguição que sofreu. Leia Pedrito vem aí.

10. Volta do Mundo

Verso tradicional da louvação que sinaliza o início do jogo. Reúne o que dizem Carneiro, Sodré e outras fontes sobre o sentido da expressão. A análise está em Volta do Mundo: o verso que encerra a louvação.

Como estudar cantigas sem copiar letras

Um bom caminho é ouvir primeiro as gravações dos mestres, anotar o tipo de canto (ladainha, corrido, quadra ou louvação) e só depois procurar o texto em fontes oficiais. Muitas cantigas têm versões diferentes, e a autoria nem sempre é certa: por isso, cada artigo do site diz o que está confirmado e o que ainda é debate entre pesquisadores.

Se você é aluno, vale levar essas leituras para a aula e perguntar ao seu mestre como a versão do seu grupo se compara. Se é curioso, comece por uma ladainha e uma cantiga de cada tipo, e acompanhe a seção de cantigas para aprofundar.

Veja também

Fontes: análises publicadas neste site entre 17 e 29 de outubro de 2026, cada uma com as fontes e referências listadas no próprio artigo. Imagem ilustrativa. Foto: Estela Neto / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

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