Os melhores discos brasileiros de 2025 segundo a crítica

Retrato da cantora Gaby Amarantos com óculos brancos redondos e cabelo ruivo trançado, sobre fundo azul

Quando as listas de fim de ano saem, quase sempre aparece uma pergunta: o que a crítica brasileira realmente escolheu como melhor de 2025? Para responder, comparamos duas seleções publicadas em dezembro, a da Música Instantânea (17 de dezembro de 2025) e a do site Desalinho (19 de dezembro de 2025). Cada uma ranqueia 50 álbuns nacionais, e três nomes aparecem entre os primeiros colocados nas duas: Jadsa, Gaby Amarantos e Catto.

Os discos que aparecem nas duas listas

O primeiro é “Big Buraco”, de Jadsa, que abre a lista da Música Instantânea e também está entre os dez primeiros do Desalinho. O segundo é “Rock Doido”, de Gaby Amarantos, segundo colocado na Música Instantânea e na ordem apresentada pelo Desalinho. O terceiro é “Caminhos Selvagens”, de Catto, que figura entre os dez melhores das duas seleções.

Esse cruzamento diz algo útil: quando dois grupos diferentes de críticos chegam a nomes parecidos, é sinal de que o disco passou de uma preferência pessoal para um certo consenso do ano. Ainda assim, vale lembrar que as listas são feitas por equipes distintas, com critérios próprios, e nenhuma delas representa “o” veredito definitivo.

Os 10 primeiros da Música Instantânea

  • Jadsa, “Big Buraco”
  • Gaby Amarantos, “Rock Doido”
  • Don L, “Caro Vapor II – Qual a Forma de Pagamento?”
  • Pelados, “Contato”
  • Ebony, “KM2”
  • Marina Sena, “Coisas Naturais”
  • Zeca Veloso, “Boas Novas”
  • BK, “Diamantes, Lágrimas e Rostos Para Esquecer”
  • Catto, “Caminhos Selvagens”
  • Maui, “Melodia&Barulho”

Os 10 primeiros do Desalinho

O Desalinho não numera as posições na página, então apresentamos os dez primeiros na ordem em que aparecem:

  • Arnaldo Antunes, “Novo Mundo”
  • Gaby Amarantos, “Rock Doido”
  • Jadsa, “Big Buraco”
  • YMA, “Sentimental Palace”
  • Catto, “Caminhos Selvagens”
  • Luedji Luna, “Antes que a Terra Acabe”
  • João Gomes, Jota.pê e Mestrinho, “Dominguinho”
  • Alaíde Costa, “Uma Estrela para Dalva”
  • Teago Oliveira, “Canções do Velho Mundo”
  • Gabriel Ventura, “Pra me Lembrar de Insistir (Balaclava)”

O que as duas seleções mostram

A primeira observação é a variedade. Numa mesma lista cabem o rap de Don L e de BK, o pop de Marina Sena, o forró de João Gomes com Jota.pê e Mestrinho, a veterana Alaíde Costa e nomes consagrados como Arnaldo Antunes. Não existe um único som dominante, e isso combina com uma cena que se espalhou por várias regiões e gêneros.

A segunda é que a crítica olhou bastante para artistas fora do eixo mais óbvio da indústria. Gaby Amarantos, que vem do Pará, e Jadsa, da Bahia, ocupam o topo, o que mostra que reconhecimento crítico e tamanho de gravadora não andam necessariamente juntos.

A terceira é a presença de projetos colaborativos, como “Dominguinho”, que reúne três artistas, e de discos de nomes experientes, como o de Arnaldo Antunes e o de Alaíde Costa. Quem tinha medo de que o streaming deixasse o álbum de lado encontra aqui um bom contraponto: o formato segue sendo a unidade de medida da crítica.

Há ainda um detalhe de método que ajuda a ler os números. As duas listas foram publicadas com dois dias de diferença, no meio de dezembro, quando a maior parte dos lançamentos do ano já estava disponível, mas antes de qualquer premiação de janeiro mexer no debate. Isso dá ao cruzamento um valor próprio: ele reflete a opinião de quem acompanhou o ano inteiro de perto, sem a influência de resultados de paradas ou de indicações a prêmios que viriam depois.

Como usar essas listas

O melhor jeito de aproveitar um ranking é como mapa de escuta, não como sentença. Se você quer começar por onde há consenso, vale ouvir Jadsa, Gaby Amarantos e Catto. Se prefere explorar, escolha um disco de cada lista que fuja do seu gosto habitual e dê duas ou três audições antes de decidir.

Em outubro de 2026, já falamos de lançamentos novos dessa mesma cena, como o álbum de Pitty e o disco de dez anos do Tuyo. Se você gosta de acompanhar o que vem depois das listas, vale seguir a seção de notícias de artistas brasileiros.

Veja também

Fontes: Música Instantânea, “Os 50 melhores discos brasileiros de 2025” (17/12/2025); Desalinho, “50 melhores álbuns nacionais 2025” (19/12/2025). Foto: Rodolfo Magalhães / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

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