“Quem Vem Lá” é um corrido que fala de quem chega de longe para participar da capoeira. Segundo o site La Laue, a cantiga é creditada ao Mestre Matias e faz referência ao berimbau, à própria capoeira e à Bahia.
Neste guia você encontra a ficha da cantiga, o que a explicação disponível diz sobre o significado, dicas de como o corrido funciona na roda e o link para ler a letra oficial.
Ficha da cantiga
| Título | Quem Vem Lá |
|---|---|
| Autor/Mestre | Mestre Matias (crédito indicado pelo La Laue) |
| Tipo | Corrido (verso curto do solista com resposta do coro) |
| Toque de berimbau | Não indicado nas fontes consultadas; varia conforme o grupo |
| Função na roda | Não informada nas fontes consultadas |
| Álbum/ano | Não informado de forma verificável |
Onde encontrar a letra oficial
Por respeito aos direitos autorais, não reproduzimos a letra de “Quem Vem Lá”: a autoria é creditada a um mestre e não encontramos fonte que confirme se a letra é de domínio público. Em caso de dúvida, tratamos a música como protegida. A letra completa, com tradução para o inglês, pode ser lida diretamente na página indicada abaixo.
Leia a letra e a tradução em inglês no La Laue: página de “Quem Vem Lá”.
Significado da cantiga
De acordo com a página do La Laue, a cantiga trata de pessoas que viajam de lugares distantes para participar da capoeira. A tradução apresentada cita o berimbau, a capoeira e a Bahia, e o texto menciona uma figura chamada Brevenuto. A página não traz explicação histórica adicional, e por isso não afirmamos quem é essa figura nem em que contexto a cantiga foi composta.
O tema, porém, conversa com algo que faz parte da cultura da capoeira: a roda recebe visitantes de outras escolas, cidades e países, e a cantiga funciona como uma forma de reconhecer quem chega. Se quiser entender melhor o papel da música nesse encontro, leia nosso guia sobre capoeira e a música.
Quem é Mestre Matias
A página do La Laue sobre Mestre Matias é curta. Ela o inclui entre as figuras importantes, com o rótulo de estilo misto, e lista duas cantigas de autoria dele: Quem Vem Lá e É da Nossa Cor, esta última classificada como corrido. A página não traz biografia, grupo, local de atuação nem alunos, e a seção de história está sem conteúdo. Por isso este guia não afirma mais do que isso. Um número que aparece junto às cantigas, sem legenda, pode ser um contador de visualizações, e não o tratamos como ano de composição.
Brevenuto: o nome que ninguém explica
O La Laue informa que o nome Brevenuto aparece só dentro do texto da cantiga, sem nenhum contexto histórico. Não achamos outra fonte aberta que identifique essa figura. Pode ser um capoeirista, um mestre ou uma pessoa da comunidade, mas qualquer uma dessas hipóteses seria suposição, e preferimos não escolher. É o tipo de lacuna que só um mestre da linhagem do autor pode preencher.
O berimbau e a Bahia no centro da cantiga
Segundo o La Laue, a tradução da cantiga cita o berimbau, a capoeira e a Bahia. Os três elementos têm contexto verificável. A Wikipédia sobre o berimbau diz que o instrumento é originário de Angola e tradicional na Bahia, e que escravizados angolanos o trouxeram ao Brasil, onde acompanhou a capoeira. A palavra vem do termo quimbundo mbirimbau.
A mesma fonte descreve as partes do instrumento: a verga, de madeira flexível com cerca de 1,5 a 1,7 metro, o arame de aço, e a cabaça, que serve de caixa de ressonância. O som muda com o dobrão, uma pedra ou moeda pressionada contra o arame, e a vareta bate no arame, com o caxixi na mesma mão. O berimbau dita o ritmo e o estilo do jogo e conduz a roda, e os jogadores tradicionalmente o reverenciam antes de começar.
Há três tipos, por altura do som: o gunga, o mais grave, que lidera o conjunto e muitas vezes conduz o canto, o médio, e a viola, ou violinha, o mais agudo, que faz a maior parte das improvisações. Entre os toques, a Wikipédia cita Angola, São Bento Pequeno, São Bento Grande, Iúna, que homenageia os ancestrais, e Cavalaria, que avisava da chegada da polícia. Para ver mais sobre eles, leia a nossa página sobre bateria e toques.
A Bahia como destino
Segundo a Wikipédia sobre a Bahia, Salvador foi fundada em 1549 por Tomé de Sousa, primeiro governador-geral, e foi capital do Brasil colonial por cerca de 214 anos, até 1763, quando a capital passou para o Rio de Janeiro. Escravizados africanos foram levados à Bahia para trabalhar nos engenhos e nas minas. No censo de 2022, 57,31% dos baianos se declararam pardos e 22,38% pretos, e a influência africana continua forte na música, na culinária e na religião. Esse é o pano de fundo que ajuda a entender por que a cantiga trata a Bahia como lugar de peregrinação para quem pratica capoeira. A ligação é nossa leitura, já que o La Laue apenas menciona a Bahia na tradução.
Quem chega à roda
O La Laue resume a cantiga como a de pessoas que viajam de lugares distantes para participar da capoeira, e o título pergunta quem está chegando, com a resposta de que é o capoeirista. Em muitas rodas, a chegada de visitantes é um momento em que a música reconhece o grupo que entra. Essa prática não aparece nas fontes que consultamos, então a registramos como observação de quem frequenta rodas, e não como fato documentado.
O corrido na roda
O Papoeira explica que os corridos são as cantigas mais comuns da roda, cantadas do começo ao fim, depois da ladainha, da louvação e das chulas, com frases curtas do solista e resposta do coro em uníssono. Alguns repetem sempre o mesmo verso do coro e outros mudam.
O que falta confirmar
Não confirmamos a data de composição, a gravação de origem, o toque indicado, a função na roda nem a identidade de Brevenuto. A obra tem autor creditado, e não achamos fonte que confirme se a letra é de domínio público, então a tratamos como protegida.
Como cantar na roda
Um corrido é uma cantiga curta de pergunta e resposta: o solista puxa o verso e o coro responde, enquanto os jogadores se movimentam na roda. Para entender a diferença entre corrido, ladainha e chula, veja nosso guia sobre os nomes das músicas de capoeira.
- Quem puxa: o solista canta o verso com clareza para que o coro consiga responder.
- Coro: responda com firmeza e palmas no tempo, sem atropelar o solista.
- Toque: as fontes consultadas não indicam um toque fixo; siga o que o mestre ou o grupo que conduz a roda definir.
Como em toda cantiga de tradição oral, pequenas variações de letra e de melodia são normais de uma roda para outra. Peça ao seu mestre ou professor a versão usada pelo seu grupo.
Perguntas frequentes
Quem é o autor de Quem Vem Lá?
O La Laue credita a cantiga a Mestre Matias.
Quem é Brevenuto?
A fonte não identifica essa figura. O nome aparece apenas dentro do texto da cantiga.
Quem Vem Lá é um corrido?
Sim, pela classificação do La Laue.
Onde posso ler a letra?
No La Laue, com tradução para o inglês. Não a reproduzimos aqui porque a obra tem autor creditado.
Leia também
- Quais são os nomes das músicas usadas na capoeira
- Capoeira e a música: origens, funções e instrumentos
- Quebra Gereba: significado e autor da cantiga
- Os 50 maiores cantadores de capoeira do mundo
Fontes
- La Laue — “Quem Vem Lá” (letra, tradução e crédito da cantiga)
- La Laue: Mestre Matias
- Wikipédia: Berimbau
- Wikipédia: Bahia
- Papoeira: tipos de cantos
Informações não confirmadas pelas fontes consultadas aparecem como “não indicado” ou “não informado”; não completamos esses dados por suposição.