Capoeira inicia caminhada para virar esporte olímpico

Roda de capoeira com berimbaus, atabaque e jogadores de branco no centro da roda

A capoeira deu um passo em direção ao movimento olímpico. Entre 23 e 26 de outubro de 2026, veículos como o Jornal de Brasília, o Correio Braziliense e o Pagina1mt noticiaram que a modalidade iniciou uma articulação para ser reconhecida por instâncias esportivas internacionais e, no longo prazo, disputar os Jogos Olímpicos. A meta de 2032, em Brisbane (Austrália), é descrita como otimista. Os Jogos de 2036 aparecem como horizonte mais realista.

Não há decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI) nem do Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Segundo o Jornal de Brasília, as conversas com os dois ainda são informais. O que existe, por enquanto, é um plano de trabalho, um calendário de competições e um debate que divide opiniões dentro da própria roda.

Quem está por trás da iniciativa

Segundo o Correio Braziliense, o consultor esportivo Patric Tebaldi, ex-presidente da Confederação Nacional de Dança Esportiva, entrou no projeto a convite de Saverio Scarpati, presidente da Confederação de Capoeira do Brasil. A sigla aparece como CBB no Correio Braziliense e no Pagina1mt, e como CCB no Jornal de Brasília. Trata-se da mesma entidade nacional, segundo o contexto das três reportagens.

Também aparece a Volta ao Mundo Bambas (VMB), organização que realiza competições de capoeira desde 2022, com regras, critérios de julgamento, rankings, premiação e transmissão pela televisão. Para os defensores da ideia, esse histórico mostra que a capoeira já tem estrutura de esporte competitivo.

O que dizem as reportagens

  • Alcance: a prática está presente em mais de 100 países, e a organização estima cerca de 15 milhões de praticantes no mundo, dos quais 6 milhões no Brasil (Correio Braziliense e Pagina1mt). São estimativas, não um censo.
  • Prazo: Tebaldi afirma que o reconhecimento internacional de uma modalidade pode levar de seis a doze anos.
  • Passos já citados: o Jornal de Brasília menciona estatutos registrados, um primeiro campeonato brasileiro previsto para o fim de novembro, uma competição pan-americana no Peru em dezembro e um campeonato europeu em março de 2027.
  • Exigências do COI: segundo o Jornal de Brasília, são necessárias pelo menos 55 federações nacionais, das quais 46 já estariam confirmadas, além de políticas de ética e antidopagem e os critérios de filiação à SportAccord.
  • Caminhos intermediários: o Correio Braziliense cita os Jogos Pan-Americanos como possível etapa antes das Olimpíadas.

Tebaldi disse ao Jornal de Brasília que a aprovação não será imediata, mas que a capoeira começa a caminhada “em condições muito mais favoráveis”. Para o Correio Braziliense, ele afirmou que há uma receptividade muito positiva à capoeira, principalmente pela sua brasilidade.

Um precedente: o breaking

O Correio Braziliense compara o caso com o do breaking, que estreou nos Jogos Olímpicos da Juventude de Buenos Aires, em 2018, e depois chegou aos Jogos de Paris, em 2024. A comparação serve de referência de processo, mas não garante o mesmo resultado para a capoeira.

Por que isso importa para quem vive a roda

A capoeira é Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil e da humanidade, com a roda e a música no centro da prática. A pergunta que a notícia coloca é como uma versão esportiva, com pontuação e arbitragem, convive com a tradição do canto, da bateria e do jogo de dentro. Na roda, o berimbau gunga conduz o ritmo e a ladainha abre a conversa. Já numa competição, as regras mudam o jogo.

Como o site reúne cantigas, toques e mestres, vale acompanhar o debate com atenção. Para entender os elementos que sustentam a roda, veja nosso guia sobre bateria e toques da capoeira e a explicação sobre a ladainha de capoeira. Quem prefere o lado das cantigas pode começar por Paranauê, uma das mais conhecidas.

O que ainda não está confirmado

Nenhuma das reportagens informa data de decisão do COI, e os contatos com COB e COI são descritos como iniciais. Os números de praticantes vêm da própria organização. A sigla da confederação varia entre as fontes. Atualizaremos esta página quando houver comunicado oficial.

Veja também

Fontes: Jornal de Brasília, 23/10/2026; Correio Braziliense, 26/10/2026; Pagina1mt, 26/10/2026.

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