Amanhã É Dia Santo: autor e significado da cantiga

Roda de capoeira em preto e branco em uma praça histórica de Salvador, com um jogador em movimento e público em volta

“Amanhã É Dia Santo” é um corrido que o La Laue credita ao Mestre Pernalonga. A cantiga separa quem ia à missa de roupa boa de quem, sem roupa nem trabalho fixo, ficava na rua jogando capoeira, e conta assim um pedaço de quem eram os capoeiristas de tradição.

Neste guia você encontra a ficha da música, o contexto histórico, dicas de como a cantiga funciona na roda e o link para ler a letra oficial. As informações vêm das fontes citadas no fim da página. Quando a fonte não informa algo, escrevemos “não informado”.

Ficha da cantiga

TítuloAmanhã É Dia Santo
Autor/MestreMestre Pernalonga (crédito indicado pelo La Laue)
TipoCorrido (verso curto do solista com resposta do coro)
Toque de berimbauNão indicado nas fontes consultadas; varia conforme o grupo
Função na rodaNão informada nas fontes consultadas
Álbum/anoNão informado de forma verificável

Onde encontrar a letra oficial

Por respeito aos direitos autorais, não reproduzimos a letra de “Amanhã É Dia Santo”: a autoria é creditada a um mestre, e não encontramos fonte que confirme se a letra é de domínio público. Em caso de dúvida, tratamos a música como protegida.

Leia a letra e a tradução em inglês no La Laue: página de “Amanhã É Dia Santo”, que apresenta o texto com marcação de tempo.

Significado e contexto da cantiga

A explicação do La Laue parte de um fato histórico: a capoeira era, tradicionalmente, uma atividade de pessoas marginalizadas, inclusive dentro da própria comunidade negra.

Quem tinha um trabalho mais respeitável e podia pagar roupa boa ia à igreja. Quem não tinha emprego fixo e vivia como dava ficava pelas ruas e jogava capoeira.

É essa divisão que a cantiga põe em cena. O refrão faz uma conta que sobe de três em três, e no meio dela aparece a separação entre quem tem roupa para ir à missa e quem não tem e faz como o cantador. A conta dá ritmo ao refrão, e o recado social vem dentro dela.

Sobre o autor, o La Laue também lista “Quebra Gereba” entre os corridos do Mestre Pernalonga. Se quiser ler sobre ela, veja nosso guia de Quebra Gereba. A página do mestre não traz nome completo, data de nascimento nem grupo, e por isso não acrescentamos dados biográficos que não possamos comprovar.

Como cantar na roda

Um corrido é uma cantiga curta em que o solista canta frases breves e o coro responde em uníssono, segundo o La Laue. Se quiser entender a diferença para a ladainha e a chula, leia nosso guia sobre os nomes das músicas de capoeira.

  • Estrutura: o refrão tem uma contagem de três em três; o solista precisa cantar com clareza para o coro não se perder nos números.
  • Coro: responda com firmeza e palmas no tempo, sem atropelar o solista.
  • Andamento e toque: as fontes consultadas não indicam; siga o que o mestre ou o grupo que conduz a roda definir.

Como em toda cantiga de tradição oral, pequenas variações de letra e de melodia são normais de uma roda para outra. Peça ao seu mestre ou professor a versão usada pelo seu grupo.

A capoeira na rua: o pano de fundo histórico

Para entender a divisão que a cantiga descreve, ajuda olhar o que a capoeira enfrentou depois da escravidão. Segundo a Wikipédia, a origem da prática é debatida: há quem a ligue a Angola e ao tráfico de africanos, e quem a situe no fim do século XVI, no Quilombo dos Palmares. O que as datas mostram com mais clareza é a repressão. Uma portaria do governo do Rio de Janeiro, em 1821, previu castigos corporais, e a Lei Áurea, de 1888, encerrou a escravidão sem programas de integração dos libertos.

Segundo a Wikipédia, muitos ex-escravizados ficaram marginalizados, e alguns recorreram a atividades ilegais, como as maltas. Em 1890, o Código Penal da República criminalizou a capoeira, no artigo 402. Nos anos 1930, Getúlio Vargas permitiu a prática somente com licença policial, e em 1940 ela saiu do Código Penal. Foi nesse intervalo que Mestre Bimba abriu a primeira academia, em Salvador, em 1932, e fundou o Centro de Cultura Física e Luta Regional, com alvará, em 1937. Mestre Pastinha inaugurou o Centro Esportivo de Capoeira Angola em 1941.

A cantiga, portanto, descreve uma época em que quem ficava na rua jogando capoeira corria risco real. O La Laue não data a composição, e não afirmamos que ela fale de um período específico. O que a fonte diz é geral: a capoeira era atividade de gente marginalizada, inclusive dentro da comunidade negra.

Igreja e comunidade negra

Há um cuidado a tomar com a leitura da cantiga. Segundo a Wikipédia sobre a escravidão no Brasil, muitos casamentos de escravizados eram sacramentados pela Igreja Católica, escravizados eram cerca de 67% dos padrinhos de batismo registrados no texto, e as irmandades religiosas organizavam a vida comunitária dos cativos. Ou seja, a igreja também fazia parte da vida da população negra. A divisão que a cantiga mostra, segundo o La Laue, não é entre fiéis e infiéis, e sim entre quem tinha emprego e roupa para ir à missa e quem não tinha. A distinção é nossa leitura a partir das duas fontes.

O que se sabe sobre Mestre Pernalonga

A página do La Laue sobre o mestre é curta. Ela o rotula como estilo misto e lista três cantigas de autoria dele: Amanhã É Dia Santo e Quebra Gereba, que são corridos, e Balança Que Pesa Ouro, uma quadra. Não traz biografia, grupo, local de atuação ou alunos. Por isso este guia não afirma nada além disso. Se você conhece o mestre ou o grupo dele, a melhor fonte é a própria linhagem.

O corrido na roda

O Papoeira explica que os corridos são as cantigas mais comuns da roda e são cantados do começo ao fim. Eles vêm depois da ladainha, da louvação e das chulas, e consistem em frases curtas do solista respondidas pelo coro em uníssono. Alguns são mais longos, alguns mantêm sempre o mesmo verso do coro, outros mudam, e alguns combinam melhor com ritmos mais rápidos ou mais lentos. O site recomenda a quem está começando aprender uma cantiga nova por semana, o que é um bom ritmo para absorver um repertório como o do Mestre Pernalonga.

Para ver como o corrido se encaixa no conjunto dos cantos, leia a nossa página sobre os tipos de cantigas.

O que falta confirmar

Não confirmamos a data de composição, a gravação de origem, o toque de berimbau indicado nem a função da cantiga na roda. Também não sabemos se a letra é de domínio público: como a fonte credita um mestre, tratamos a obra como protegida. O La Laue lista outros corridos na mesma página, como Preta Calunga e A Palma de Bimba, mas isso não nos diz nada sobre esta cantiga em si.

Perguntas frequentes

O que significa “Amanhã É Dia Santo” na capoeira?

Segundo o La Laue, a cantiga lembra que a capoeira era atividade de gente marginalizada: quem tinha trabalho e roupa boa ia à igreja, e quem não tinha ficava na rua jogando capoeira.

Quem é o autor de “Amanhã É Dia Santo”?

O La Laue credita a música ao Mestre Pernalonga. Não encontramos outras informações verificáveis sobre ele, como nome completo ou data de nascimento.

“Amanhã É Dia Santo” é um corrido ou uma ladainha?

É um corrido, pela classificação do La Laue: verso curto do solista e resposta do coro.

Onde posso ler a letra de “Amanhã É Dia Santo”?

No site La Laue, que traz a letra com tradução em inglês. Não a reproduzimos aqui porque a música tem autor creditado.

Qual toque de berimbau acompanha a cantiga?

As fontes consultadas não indicam um toque específico. Ele depende do grupo e do andamento da roda.

Veja também

Fontes: La Laue, “Amanhã É Dia Santo” (letra, tradução e contexto; consultado em 16/10/2026); La Laue, página do Mestre Pernalonga; Wikipédia: Capoeira; Wikipédia: Escravidão no Brasil; Papoeira: tipos de cantos.

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