“Guerreiro do Quilombo” é um corrido de Mestre Barrão, segundo o La Laue. A cantiga fala de deportação, de sofrimento e de fuga para o quilombo, e defende que a liberdade foi conquistada na luta, não oferecida por ninguém.
Para ler uma cantiga assim, o ideal é conhecer três coisas: quem é o autor, o que foi o quilombo mais famoso do Brasil e o que os historiadores realmente confirmam sobre a capoeira nesse universo. Este texto reúne esses pontos e separa o que é fato do que é hipótese.

A obra é recente e protegida, então este artigo traz o contexto de Palmares e a trajetória do autor, não a letra.
Ficha da cantiga
| Título | Guerreiro do Quilombo |
| Tipo | Corrido |
| Autor | Mestre Barrão (La Laue) |
| Ano | Não informado nas páginas consultadas |
| Tema | Deportação, fuga e luta no quilombo |
| Direitos | Protegida |
O que a cantiga diz
Segundo o La Laue, a cantiga trata da deportação, do sofrimento e da fuga ao quilombo, e afirma que a liberdade foi conquistada pela luta. O site também lembra a dor das famílias separadas pela escravidão e pelas violências sofridas. A página sugere um vínculo com a capoeira de guerra, mas essa é uma hipótese do próprio site, sem apoio acadêmico.
Quem é Mestre Barrão
O La Laue apresenta Mestre Barrão como Marcos da Silva, nascido em 1961 em Recife, fundador do Grupo Axé Capoeira. Outra página, do Axé Chicago, confirma o nome e a cidade, mas não dá a data de nascimento. Por isso o ano de 1961 fica como informação de uma só origem.
A trajetória descrita nas duas páginas é longa. Ele começou a treinar em 1974, aos 13 anos, com Mestre Pirajá, e passou a treinar com Mestre Teté em 1977, onde aprendeu a capoeira de rua. Participou de competições no Nordeste a partir de 1979 e começou a dar aulas em 1980. Em 1982 venceu o campeonato nacional no Rio de Janeiro. Em 1987 recebeu de Pirajá o grau de mestre de primeiro nível.
A fase internacional veio em seguida. Em 1990 participou de festivais infantis na América do Norte, em 1991 ensinou na Itália e em 1992 emigrou para o Canadá. Em 1996 abriu o que o La Laue descreve como a primeira academia de capoeira do país, afirmação que não encontramos confirmada em outra fonte. Em 2000, no evento Melhores do Século, em Curitiba, foi reconhecido como um dos grandes capoeiristas do século.
O Axé Capoeira tem alunos em cerca de vinte países. As fontes divergem sobre a origem do grupo: uma página diz que começou em 1982 em Vancouver, outra que nasceu em Recife no mesmo ano. Na música, o La Laue fala em nove volumes de CD, mais um álbum gravado com Mestre Burguês; o Axé Chicago fala em dez álbuns. Hoje, segundo o Axé Chicago, ele vive na ilha de Itamaracá, em Pernambuco. Entre as cantigas que o La Laue lhe atribui, além de “Guerreiro do Quilombo”, estão “Adeus Besouro”, “Sinhazinha” e “Eu Vim de Angola”.
Palmares em números
O quilombo ficava na Serra da Barriga, hoje União dos Palmares, em Alagoas, então ligada à capitania de Pernambuco. Era formado por vários mocambos, que eram núcleos de povoamento. Os principais eram o Cerco Real do Macaco, centro político com cerca de 1.500 moradias, e Subupira, centro militar com cerca de 800. Havia ainda os mocambos de Zumbi e de Dandara.
Quanto à fundação, a Wikipédia em português dá duas datas que não batem: as primeiras menções são de 1580, mas o quilombo teria sido fundado no fim da década de 1590. Ele cresceu durante as invasões holandesas, quando os engenhos de Pernambuco foram desorganizados e mais pessoas conseguiram fugir.
A população é sempre estimada. A mesma página fala em cerca de 20 mil pessoas por volta de 1670, com cerca de 6 mil no Macaco, e também em 11 mil a 20 mil habitantes nos anos 1690. Há um conflito dentro do próprio texto sobre quando foi o auge, e por isso damos os números em faixa.
Também há debate sobre o tipo de sociedade. Alguns estudiosos veem em Palmares um Estado africano com chefe eleito e removível. Outros apontam que havia hierarquias sociais e até escravidão dentro do quilombo. As fontes holandesas do século XVII, de Barléu em 1647 e de Nieuhof em 1682, descrevem dois grandes conjuntos, o Grande e o Pequeno Palmares.
A resistência e a queda
Entre 1680 e 1686, ao menos seis expedições contra Palmares fracassaram. A Wikipédia fala em cerca de dezoito expedições desde o período holandês. O La Laue usa outra contagem, citando pelo menos 24 ataques pequenos e 18 invasões coloniais, e diz que um governador chegou a considerar o quilombo mais difícil de vencer que os holandeses. São contagens diferentes, e nenhuma delas deve ser tomada como número exato.
A ofensiva decisiva veio em 1694. O governador Pedro de Almeida mobilizou os bandeirantes de Domingos Jorge Velho, cerca de 6 mil homens com artilharia. O Macaco caiu em janeiro de 1694. Relatos dizem que cerca de 200 moradores se mataram para não se render, e muitos outros foram mortos ou escravizados de novo.
Zumbi foi morto em uma emboscada em 20 de novembro de 1695. Segundo a Wikipédia, um quilombola chamado Antônio Soares teria revelado o esconderijo em troca de liberdade, promessa que Velho não cumpriu. A cabeça de Zumbi foi exposta em Recife, no Pátio do Carmo. O quilombo se dissolveu por volta de 1710.
E a capoeira em Palmares?
É aqui que a cautela é maior. A Wikipédia afirma que não há prova documental do uso da capoeira em Palmares. A ideia de que ela virou uma arte de guerra nos quilombos aparece em páginas do universo da capoeira e na tradição oral, mas continua sendo uma hipótese, não um fato comprovado. A cantiga trabalha com essa imagem como memória e símbolo, e é assim que ela deve ser ouvida.
A memória hoje
Em 1995, no governo de Fernando Henrique Cardoso, Zumbi foi reconhecido como herói nacional, e o 20 de novembro virou o Dia da Consciência Negra. O Parque Memorial Quilombo dos Palmares existe desde 2007. O tombamento pelo Iphan aparece em duas datas na mesma página, 1985 e 1986.
Direitos
Não reproduzimos a letra. O La Laue informa que o conteúdo do site não pode ser copiado nem distribuído sem autorização, e a cantiga tem autor identificado. Para o contexto histórico, leia também a história da capoeira, indicada abaixo.
Perguntas frequentes
Quem compôs Guerreiro do Quilombo?
Mestre Barrão, segundo o La Laue. O ano de composição não aparece nas páginas que consultamos.
Quem é Mestre Barrão?
Marcos da Silva, fundador do Grupo Axé Capoeira. O La Laue informa que ele nasceu em 1961 em Recife, e vive hoje na ilha de Itamaracá, segundo o Axé Chicago.
Quantas pessoas viviam em Palmares?
As estimativas vão de 11 mil a 20 mil nos anos 1690, segundo a Wikipédia em português. Há também a cifra de cerca de 20 mil por volta de 1670 na mesma página.
Há prova de que a capoeira existia em Palmares?
Não. A Wikipédia diz que não há prova documental. A ligação é uma hipótese e faz parte da tradição oral.
Quando Palmares caiu?
O Macaco caiu em janeiro de 1694 e Zumbi foi morto em 20 de novembro de 1695.
Veja também
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Fontes: La Laue: Guerreiro do Quilombo; La Laue: Mestre Barrão; Axé Chicago: Mestre Barrão; Wikipédia: Quilombo dos Palmares.