Dona Maria do Camboatá: significado e vídeo da cantiga

Roda de capoeira na ilha de Itaparica, Bahia

“Dona Maria do Camboatá” é um corrido de capoeira que conta, em versos curtos e fáceis de responder, a história de uma mulher de personalidade forte que vai a uma venda, dá ordens, reclama da mercadoria e termina a cena jogando capoeira. A cantiga é muito usada em rodas por causa do refrão simples e da imagem divertida da personagem, que mistura humor e movimento: ela chega, manda, volta para reclamar, faz a ginga e dá um salto.

Atenção: as fontes consultadas divergem sobre a autoria. Um site de referência apresenta a música como tradicional, sem autor creditado; outro a credita ao Mestre Itapuã Beiramar. Como não há confirmação de que seja de domínio público, esta página não reproduz a letra: ela explica a história, o sentido e o uso na roda, traz vídeos e indica onde ler o texto.

Ficha da cantiga

TítuloDona Maria do Camboatá
Autor/MestreDivergente nas fontes: apresentada como tradicional pelo Papoeira; creditada ao Mestre Itapuã Beiramar pelo Lalaue
TipoCorrido (solo e resposta do coro)
EstiloCantada em rodas de capoeira; não há estilo único confirmado
Toque de berimbauNão informado nas fontes consultadas
Álbum/anoHá várias gravações (veja os vídeos); ano da composição não confirmado

Onde encontrar a letra

Como a autoria não está confirmada como domínio público, preferimos não copiar os versos. O texto completo, com tradução para o inglês, pode ser consultado em páginas de referência como o Papoeira e o Lalaue. Se você é mestre, cantador ou detentor dos direitos e quer corrigir a informação de autoria desta página, fale conosco pela página de contato.

Significado e história da cantiga

Segundo o Papoeira, a cantiga descreve uma mulher que chega a uma venda, manda um menino comprar mercadorias, não gosta do que recebe e volta para exigir a troca. No fim da cena, ela canta alto, faz a ginga e termina com um salto. O mesmo site afirma que “Dona Maria do Camboatá” seria uma capoeirista lendária da Bahia, do fim do século XIX ou início do XX, e que “a música é a história dela”, ou seja, quase não há outros registros biográficos sobre a personagem. Trata-se de uma tradição apresentada pelo site, não de um fato documentado em arquivo.

O Lalaue interpreta a canção de forma mais bem-humorada: seria sobre uma mulher que foi à feira “fazer barulho”, e sugere, em tom de brincadeira, que alguém talvez tenha tentado lhe vender um coco estragado. É uma leitura do próprio site, não uma explicação histórica.

O que quer dizer “Camboatá”?

O Lalaue explica que “camboatá” pode designar certas plantas de uso medicinal ou um pequeno peixe de água doce. O Papoeira também cita uma árvore medicinal brasileira (Cupania vernalis). Em outras palavras, o nome pode ser apenas o sobrenome ou o lugar de origem da personagem, mas as fontes não confirmam um local específico.

Vídeos

Abaixo, duas gravações encontradas no YouTube. O canal do Vinho Capoeira é de ensino e o segundo vídeo é a versão com Tião Carvalho no canal Grupo Nzinga – Topic. Não afirmamos que sejam gravações oficiais do autor da cantiga.

Vídeo: Basic Capoeira Songs: Dona Maria Do Camboatá — canal Vinho Capoeira (YouTube) (abre no YouTube)

Vídeo: Dona Maria do Camboatá (feat. Tião Carvalho) — canal Grupo Nzinga – Topic (YouTube) (abre no YouTube)

Como cantar na roda

Por ser um corrido, a cantiga segue a lógica de solo e resposta: o puxador canta o verso e o coro responde. Como a melodia é simples e o refrão se repete, ela costuma ser uma boa opção para quem está começando a cantar. O ideal é aprender com o seu grupo, porque cada roda adapta versos e andamento. Para entender melhor os tipos de canto, leia o nosso guia sobre os nomes das músicas de capoeira: ladainha, chula e corrido.

Mulheres da capoeira com o nome Maria

O Papoeira distingue Dona Maria do Camboatá de outras figuras de nome Maria no folclore da capoeira. Maria Homem seria uma capoeirista de rua da Bahia que, segundo Mestre Pastinha, enfrentou três policiais depois de uma noite de bebida e derrubou um por um. Maria Doze Homens teria sido amiga de Maria Salomé e conhecida por confusões na Bahia dos anos 1920 e 1930, e seu apelido tem várias explicações concorrentes, entre elas a de ter vencido ou matado doze policiais. Maria Felipa de Oliveira era vendedora de frutos do mar na Ilha de Itaparica e, segundo a tradição, ajudou a incendiar barcos portugueses durante o Cerco de Salvador, podendo ter jogado capoeira no Cais Dourado para colher informações.

O próprio Papoeira trata como questão em aberto se essas mulheres foram de fato capoeiristas. O papel de Maria Felipa na independência da Bahia parece bem estabelecido, mas não é fácil confirmar que ela treinava capoeira. Os registros policiais mostram mulheres chamadas Maria presas por briga, porém há poucas evidências de capoeiristas mulheres antes do século XX. O site sugere que, como em boa parte do folclore afro-brasileiro, a roda foi tradicionalmente dominada por homens.

Camboatá: lugar e planta

O Papoeira descreve Camboatá como uma cidade da região de Pojuca, na Bahia, a cerca de cem milhas ao norte de Salvador, e também como uma árvore medicinal brasileira, a Cupania vernalis. Tradicionalmente, seus frutos teriam sido usados contra problemas digestivos, inflamações e artrite, e as folhas eram preparadas em chá contra pressão alta. O site brinca que Dona Maria talvez precisasse de um. O La Laue, por sua vez, fala em plantas medicinais ou em um pequeno peixe de água doce. Nenhuma fonte confirma qual desses significados vale para a cantiga.

O mercado na cena

A cena da cantiga se passa numa venda, e o La Laue a vê como a de uma mulher que foi ao mercado fazer barulho e talvez tenha recebido um coco estragado. As fontes divergem sobre o tom: o Papoeira enfatiza a figura lendária, e o La Laue, o humor. Ambas as leituras têm o mesmo esqueleto, a freguesa que manda, reclama e acaba na ginga. A descrição do fim da cena, com a ginga e o salto, é do Papoeira. Ele fala de um mortal para trás, o que mostra que a personagem termina o episódio em movimento de capoeira.

Cantigas relacionadas

O La Laue lista, como relacionadas, Dendê, A Canoa Virou, Marinheiro, de Mestre Suassuna, Roça do Lobo, de Mestre Mão Branca, Ai, Ai, Ai, Ai, Doutor e Nego Veio, uma ladainha de Mestre Joel. Sobre o Mestre Mão Branca, veja o nosso perfil do mestre. A lista é de proximidade no site, e não de assunto.

Sobre a autoria

As fontes divergem. O Papoeira trata a cantiga como tradicional, sem autor, e o La Laue a credita ao Mestre Itapuã Beiramar. Registramos as duas atribuições. Se você é o autor ou conhece a origem, fale conosco pela página de contato.

O que falta confirmar

Não confirmamos a data de composição, a gravação de origem, o toque indicado nem a existência histórica de Dona Maria. O Papoeira só diz que ela seria lendária, e que a música é a história dela.

Perguntas frequentes

Quem compôs “Dona Maria do Camboatá”?

As fontes divergem: o Papoeira a apresenta como tradicional, sem autor, e o Lalaue a credita ao Mestre Itapuã Beiramar. Por isso não reproduzimos a letra aqui.

“Dona Maria do Camboatá” é um corrido, uma ladainha ou uma chula?

O Lalaue a classifica como corrido, isto é, uma cantiga curta em que o coro responde ao solista.

Dona Maria do Camboatá existiu?

O Papoeira a descreve como uma capoeirista lendária da Bahia, mas diz que não há outros dados além da própria cantiga. Não há documentação confirmada nas fontes consultadas.

O que significa camboatá?

Pode se referir a plantas medicinais ou a um pequeno peixe de água doce, segundo o Lalaue; o Papoeira menciona uma árvore medicinal.

Onde ler a letra?

Em páginas de referência como as citadas acima. Nesta página não publicamos os versos porque a autoria não está confirmada como domínio público.

Veja também

Fontes

Papoeira, “Dona Maria do Camboatá – Capoeira Song – Lyrics, Meaning and History”: https://papoeira.com/en/dona-maria-do-camboata-capoeira-song-lyrics-meaning-and-history/. Lalaue, “Dona Maria Do Camboatá”: https://lalaue.com/capoeira-music/dona-maria-do-camboata/. Vídeos: Vinho Capoeira e Grupo Nzinga – Topic. Conteúdo reescrito pela redação.

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