Pernambuco validou o seu Plano de Salvaguarda da Capoeira em reunião realizada na terça-feira, 27 de outubro de 2026, na sede estadual do Iphan, com participação presencial e on-line. O documento reúne diretrizes para proteger, promover e transmitir a prática no estado e passa agora por ajustes antes de ser publicado.
Contexto: de 2014 até a validação
A capoeira é reconhecida como patrimônio cultural de abrangência nacional, mas ainda não tem um plano único de salvaguarda. A política prevê planos estaduais, e o de Pernambuco vem sendo construído desde 2014, segundo o Iphan. A roda de capoeira também integra, desde 2014, a Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Unesco.
O processo recente teve três momentos. Entre dezembro de 2025 e março de 2026, aconteceram fóruns regionais em Salgueiro, Arcoverde, Caruaru, Palmares, Igarassu e Recife, cobrindo as quatro macrorregiões do estado: Região Metropolitana, Zona da Mata, Agreste e Sertão. Depois, as equipes técnicas do Iphan-PE e da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) sistematizaram o material. Em abril, uma consulta pública on-line recebeu contribuições até 5 de maio, por formulário virtual.
Participaram mestres e mestras, contramestres, professores, integrantes de grupos, lideranças comunitárias, jovens praticantes, pesquisadores e agentes culturais. O plano também se apoiou em duas edições da Semana Estadual da Capoeira, de acordo com o Fique Sabendo PE.
Detalhes da validação
O texto está organizado em quatro eixos de ação:
- Mobilização social e alcance da política;
- Gestão participativa no processo de salvaguarda;
- Difusão e valorização;
- Produção e reprodução cultural.
A reunião de validação foi conduzida por Lívia Moraes, representante do Iphan-PE. A superintendente de Patrimônio Imaterial da Fundarpe, Jacira França, também é citada. As sugestões feitas no encontro serão incorporadas pelo Iphan-PE antes da publicação do plano, quando ele ficará acessível à comunidade.
Lívia Moraes explicou o uso prático do documento: depois de publicado, a comunidade "vai poder colocá-lo embaixo do braço e cobrar de todos os poderes públicos", segundo o Fique Sabendo PE. Ou seja, o plano serve de referência para pedir ações a prefeituras, ao governo estadual e à União.
A mesma matéria lista outros estados que já têm plano de salvaguarda da capoeira: Acre, Bahia e Maranhão (2018), Paraná (2019), Pará e Santa Catarina (2020), Rondônia (2023), Roraima (2024) e Rio Grande do Norte (2025).
- Data: terça-feira, 27 de outubro de 2026, na sede do Iphan em Pernambuco.
- Órgãos: Iphan, que liderou a elaboração, e Fundarpe, pelo estado.
- Formato: encontro híbrido, presencial e on-line.
- Próximo passo: incorporar ajustes e publicar o plano.
Divergência e pontos não confirmados: o Fique Sabendo PE diz que a validação ocorreu "na noite de ontem" em texto de 29 de outubro, o que apontaria para o dia 28, mas o mesmo texto e o Portal de Prefeitura indicam terça, 27. Adotamos 27 de outubro. Nenhuma das matérias informa orçamento, prazo para a publicação nem as ações concretas previstas em cada eixo.
Por que importa para a capoeira
Um plano de salvaguarda é o instrumento que transforma o reconhecimento simbólico em orientação prática. Em vez de ficar só no título de patrimônio, a capoeira pernambucana passa a ter um documento construído com mestres e praticantes de várias regiões para guiar políticas públicas. A participação de quem está na roda é o ponto central: foram seis cidades ouvidas e uma consulta aberta a qualquer interessado ligado à prática.
Também importa para a música. A capoeira se transmite pela oralidade, pela bateria e pelo canto, e as cantigas guardam história, humor e crítica social. Planos de salvaguarda costumam incluir a documentação e a transmissão desses saberes, mas, no caso de Pernambuco, as matérias não detalham medidas específicas para o repertório. Esse ponto fica para o texto final, quando for publicado.
Para mestres e grupos, o próximo passo é acompanhar a publicação e conferir como cada eixo vira ação. Se a comunidade de fato usar o plano para cobrar apoio, como sugeriu Lívia Moraes, a validação pode ser o começo de uma agenda mais organizada para a capoeira do estado.
Veja também
Fontes: Portal de Prefeitura, 29/10/2026; Fique Sabendo PE, 29/10/2026; Iphan, consulta pública, 07/04/2026.