Depois da ladainha vem a louvação, a primeira parte da roda em que o coro canta junto. O solista diz um verso, a roda repete, e o agradecimento a Deus, aos mestres e à própria capoeira ganha voz coletiva. A chula entra na mesma conversa, mas aqui as fontes brasileiras e estrangeiras discordam bastante.
Esta página separa o que é consenso do que é divergência. Não achamos fonte francesa séria sobre o tema, então a checagem usou textos em português e inglês, com apoio de uma fonte em espanhol.
Ficha da cantiga
| Função | Louvar e agradecer; passar do solo ao canto coletivo |
| Estrutura | Chamada e resposta: o solista canta, o coro repete |
| Resposta | Repetição do verso, com “camará” acrescentado |
| Posição | Depois da ladainha (ou da quadra, em Bimba), antes dos corridos |
| Instrumentos | Angola: 3 berimbaus, 2 pandeiros, atabaque, agogô, reco-reco. Regional: 1 berimbau e 2 pandeiros |
| O que toca na bateria | Não confirmado |
O que é a louvação
Quatro fontes concordam: a louvação é uma sequência de chamada e resposta que vem depois da ladainha, ou depois da quadra no método de Mestre Bimba. O solista canta um verso e o coro o repete, acrescentando “camará” ou “camarado”. O conteúdo louva Deus, os mestres, a capoeira ou um lugar, e agradece. Yahn a considera a parte mais próxima do sagrado.
O “Iê” que abre o canto pertence à ladainha, não à louvação. Segundo Reis, a louvação não tem fim fixo, e o solista simplesmente deixa de conduzir quando os corridos começam.
E a chula, o que é?
Aqui está a maior divergência. Para Yahn e Santos, para a Wikipédia em inglês e para Macedo, chula é sinônimo de louvação. Segundo Reis, citando Bimba e Decânio Filho, chula designa o canto de abertura inteiro. Xavier e Leite a veem como a parte que segue a ladainha. O Papoeira a descreve como um canto breve, distinto, entre a louvação e os corridos. A Wikipédia em português diz que o trecho solista é muito mais longo que a resposta do coro e que a chula pode ser cantada a qualquer momento. Sodré usa “chulas” para os cantos da roda em geral.
Existe também a chula do samba de roda baiano, que é outra coisa. Por tudo isso, ao ler “chula”, vale checar o autor antes de supor o sentido.
Bateria e ritmo
Na Capoeira Angola, cinco fontes concordam com três berimbaus (gunga, médio e viola), dois pandeiros, um atabaque, um agogô e um reco-reco. Silva e Falcão registram um único pandeiro em uma roda de Mestre João Pequeno. Na Regional, cinco fontes concordam com um berimbau e dois pandeiros, sem atabaque. Papoeira e La Laue chamam esse conjunto de charanga e o fazem tocar a quadra em São Bento Grande de Regional.
O que os instrumentos fazem durante a louvação, o toque exato e o momento em que a bateria acelera não estão confirmados nas fontes. Mataruna é o único a dizer que o ritmo começa lento e acelera.
Pontos em aberto
O “canto de entrada” também é usado de maneiras diferentes: Rego o aplica à louvação, Corte Real à ladainha, Xavier a corridos. Quanto à “volta do mundo”, Sodré escreve que, na Angola, a fórmula lança o jogo. A Wikipédia em inglês a descreve como uma pausa em que um jogador percorre a roda. Dizemos apenas que, em certas rodas de Angola, ela costuma lançar o jogo.
Para ver como os cantos se encaixam na roda, leia também os nomes das músicas de capoeira.
Perguntas frequentes
Louvação e chula são a mesma coisa?
Para três fontes sim, mas outras usam “chula” para o canto de abertura inteiro ou para um canto breve à parte. Não há consenso.
Quem responde na louvação?
O coro repete o verso do solista e acrescenta “camará”.
Quantos berimbaus tocam na louvação?
Depende do estilo: três na Angola e um na Regional. O que a bateria faz nessa hora não está confirmado.
Veja também
- Nomes das músicas de capoeira: ladainha, chula e corrido
- Capoeira e a música: origens, funções e instrumentos
- Os 50 maiores cantadores de capoeira do mundo e seus álbuns
Quer ouvir e cantar junto? Acompanhe o canal Música Brasileira Capoeira no YouTube.
Fontes: Wikipedia: Capoeira music; Papoeira: tipos de cantos; Macedo (ANPUH); Yahn, Terra Roxa (2009); Xavier (2010); Reis, PUC-Rio; Mazzarella (Buenos Aires, 2020).