Poucas cantigas contam uma história tão direta quanto esta: uma luta noturna, sem regras, em que a capoeira leva a melhor sobre o jiu-jitsu. Por isso ela circula tanto em rodas de capoeira regional, em aulas e em listas de músicas procuradas na internet. O título é Foi no clarão da lua, e a página dela no Letras.mus.br soma quase 25 mil visualizações.
O que muita gente pergunta é quem a escreveu e a que luta ela se refere. As respostas encontradas variam. Uma página de letras a lista sem autoria, outra a atribui a Mestre Bimba, e há versões que colocam outro mestre tocando berimbau à beira do ringue. Seguem o que as fontes dizem, o que divergem e onde buscar o texto completo, que não é reproduzido aqui. O contexto geral da cantiga está em corrido de capoeira.
| Título | Foi no clarão da lua |
| Tipo | Corrido (também classificado como corrido/chula, segundo o Capoeira Song Compendium) |
| Autoria | Não confirmada: atribuída a Mestre Bimba por uma fonte, sem crédito em outras |
| Gravações | Não confirmadas |
| Tema | Vitória da capoeira sobre o jiu-jitsu numa luta noturna, no primeiro round |
| Direitos | Letra não reproduzida |
Origem e autoria: o que se sabe e o que não se sabe
A página da La-Laue classifica a cantiga como corrido e a credita a Mestre Bimba, sem informar álbum nem ano. Já a página do Letras.mus.br, publicada sob o nome genérico Capoeira Song, não traz compositor e ainda pede que visitantes enviem essa informação. O banco de cantigas Capoeira Song Knowledgebase registra a música na categoria corridos e chulas e remete ao Capoeira Song Compendium 1.0, de Mathew Brigham (Espaguete), de 2006, sem indicar cantor ou gravação.
Entre as fontes consultadas, só uma atribui a letra a Bimba, e essa mesma página traz uma tradução que chama de Bimba o mestre citado, embora o texto em português nomeie outro. Por isso é prudente tratar a autoria como não confirmada. Buscas na web também listam vídeos com o nome de Mestre Burguês no título, mas não é possível afirmar que ele seja o autor.
O que a cantiga conta
Segundo a página do Letras.mus.br, a narrativa mostra um capoeirista vencendo um adversário de jiu-jitsu numa luta noturna de vale-tudo, com o público e os músicos comemorando. A mesma página cita Mestre Mentirinha como o tocador de berimbau embaixo do ringue e um cantor chamado Muzenza. Outras páginas, como a do The Capoeira Cafe e a da Capoeira Evolução, resumem a cena de forma parecida, mas põem Mestre Bimba tocando o instrumento. Essa é a principal divergência de versões.
Nenhuma das fontes aponta uma data ou nomes dos lutadores. Também não há ligação documentada com um combate real. O que a história registra sobre Bimba, segundo a Wikipédia, são quatro lutas de desafio em 1936, vencidas por ele, sob regras de estilo pugilístico, e um desafio de 1945 do competidor de jiu-jitsu Jayme Ferreira aos alunos, em que Bimba respondeu que a regional servia à defesa pessoal, não ao esporte. A página não relata combate nesse caso. Ou seja, a cantiga pode ser memória coletiva, e não relato de um evento específico.
Estilo, ritmo e lugar na roda
O formato é o do corrido: um refrão curto, repetido pelo coro, alternando com versos do solista. É um canto de roda animada, em ritmo mais acelerado do que a ladainha, que costuma abrir a roda. Nenhuma fonte indica o toque de berimbau associado a ela, então nenhum é afirmado aqui.
Na prática, o solista conduz a narrativa e o coro devolve a resposta, o que ajuda quem está aprendendo, porque a repetição fixa o refrão. Sobre a diferença entre os gêneros, veja a página de tipos de cantigas de capoeira.
Sentido e leitura
A cantiga funciona como afirmação de identidade: a capoeira aparece como arte capaz de enfrentar outras lutas e de sair vitoriosa diante do público. A cena do ringue à noite, com o berimbau marcando o ritmo, reforça a ideia de que a música faz parte do combate, e não apenas o acompanha. Quem canta em roda ouve nela um orgulho coletivo, e não só a história de um lutador.
Vale lembrar que esse tipo de narrativa heroica é comum nos corridos. O que muda de um grupo para outro são os nomes citados, e é por isso que as letras publicadas diferem.
Onde ler a letra completa
O texto não é reproduzido neste site. A página verificada para consulta é a do Letras.mus.br, com a letra de Foi no clarão da lua. Se for cantar em grupo, confira com seu mestre qual versão a sua linha usa, já que as fontes citam mestres diferentes. Mais cantigas ficam no índice de letras de capoeira.
Perguntas frequentes
Quem escreveu Foi no clarão da lua?
Não há autoria confirmada. A La-Laue a atribui a Mestre Bimba, enquanto o Letras.mus.br e outras páginas não indicam compositor.
É um corrido ou uma quadra?
As fontes consultadas a tratam como corrido, com refrão repetido pelo coro. O Capoeira Song Compendium a lista junto de corridos e chulas.
A história é real?
Nenhuma fonte a liga a uma luta documentada. As lutas de Bimba registradas, como as de 1936, têm outros adversários e outras regras.
Há gravação oficial?
Nenhuma foi confirmada. Existem vídeos na internet com versões da música, mas autoria e data não foram verificadas.
Veja também
- História da capoeira e do berimbau
- A manteiga derramou: o corrido da regional
- Paranauê: origem e sentido da cantiga
- Os maiores cantadores de capoeira
Fontes
Letras.mus.br, Foi no clarão da lua (Capoeira Song), consultado em 28/10/2026. La-Laue, Foi no clarão da lua, consultado em 28/10/2026. The Capoeira Cafe, consultado em 28/10/2026. Capoeira Evolução, publicada em março de 2009. Capoeira Song Knowledgebase, artigo 90, adicionado em 30/03/2021. Manuel dos Reis Machado, Wikipédia, consultada em 28/10/2026.