Pan-Americano de Capoeira 2026: Brasil leva 1ª seleção a Lima

Dois capoeiristas jogam no centro de uma roda ao ar livre, cercados por músicos com berimbaus e público

O Brasil vai disputar o Campeonato Pan-Americano de Capoeira Lima 2026, marcado para 11 a 13 de dezembro de 2026 no Polideportivo 1 da Villa Deportiva Nacional (VIDENA), em Lima, no Peru, com a sua primeira seleção nacional oficial de capoeira competitiva. A convocação, organizada pela Confederação de Capoeira do Brasil (CCB) em parceria com a World Capoeira, reúne cerca de 70 atletas de vários estados. Nos últimos dias, entre 24 e 30 de setembro de 2026, jornais do Distrito Federal e de outras regiões detalharam a preparação da equipe, os nomes dos convocados e os países que estarão na disputa.

Contexto: da roda ao circuito profissional

A capoeira é, antes de tudo, uma manifestação cultural brasileira que reúne luta, jogo, música e tradição oral. A roda de capoeira foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2014, e a prática continua viva em academias, praças e projetos sociais do Brasil e de dezenas de outros países. Ao lado dessa dimensão cultural, cresce há alguns anos uma vertente esportiva, com regras de pontuação, categorias por idade e campeonatos transmitidos pela televisão.

Um dos motores dessa vertente é o circuito VMB, criado em 2022 com o nome Volta ao Mundo Bambas e hoje chamado Volta do Mundo. Segundo o Jornal de Brasília e o Jornal TaguaCei, o circuito montou uma estrutura profissional de competição, com ranking de atletas, premiação em dinheiro e eventos de grande porte transmitidos pelos canais Combate e XSports. Foi a partir desse ambiente competitivo que a confederação formou a equipe que viajará ao Peru.

Saverio Scarpati, presidente da Confederação de Capoeira do Brasil e diretor-executivo do VMB, resumiu o objetivo do projeto ao Jornal de Brasília: desde 2022, a ideia era “criar condições para que o capoeirista tivesse reconhecimento como atleta” e pudesse chegar às grandes competições internacionais.

Os detalhes do Pan-Americano de Capoeira Lima 2026

De acordo com as reportagens publicadas em setembro, o torneio acontece de 11 a 13 de dezembro de 2026, no Polideportivo 1 da VIDENA, o principal complexo esportivo de Lima. Em matéria de 30 de setembro, o Jornal de Brasília informou que sete países vão participar: Brasil, Chile, Peru, Colômbia, Costa Rica, México e Bolívia.

A delegação brasileira foi batizada de “Missão Brasil Lima 2026”, segundo o portal Sul de Minas Online. Ela reúne atletas de diferentes faixas etárias, das categorias infantojuvenis até a categoria master, além de mestres que integram a comissão técnica.

Distrito Federal: seis adultos e quatro jovens

O Distrito Federal aparece com força na lista. Na categoria adulta foram convocados Glaucio Hernan Fausto Vieira (Flash), Divino Gonçalves (Cobrinha), Wesley dos Santos (Carimbó), Jasmine de Oliveira (Tempestade), Jeovana Rodrigues (Jejê) e Cleiton Rodrigues (Guaxinim). Na categoria juvenil, o jornal cita as atletas Luiza, Sofya Silva, Fernanda e Ester. Para Flash, a convocação “é uma honra e, ao mesmo tempo, uma grande responsabilidade”.

Maricá, Varginha e Muriaé também na seleção

Em Maricá (RJ), o portal Cidade de Niterói destacou dois convocados separados por 31 anos de idade: Erik Saldanha Meireles, o Titã, de 14 anos, na categoria infantojuvenil, e Denis Cardoso dos Reis, o Mestre Toupeira, de 45 anos, na categoria master. Ambos contam com apoio do poder público municipal para a viagem.

Em Varginha (MG), a Casa da Capoeira, instituição sem fins lucrativos, emplacou o atleta João Augusto de Oliveira Neto, conhecido como Red Bull, e o Mestre Osvaldo Henrique Mendonça Teófilo, o Pé de Vento, que integra a comissão técnica, segundo o Sul de Minas Online.

Já em Muriaé (MG), a Tribuna de Minas contou a história de Débora Vitória da Silva Messias, de 12 anos, apelidada de Amazonas. Ela foi campeã mundial na categoria mirim em uma etapa do VMB realizada em Brasília e acabou convocada para a seleção. A família, liderada pelo pai, Mestre Bulinho, organizou uma vaquinha porque o apoio oficial não cobre passagens e hospedagem — um retrato das dificuldades financeiras que muitos capoeiristas ainda enfrentam para competir fora do país.

Próxima parada: VMB 12 em Maricá

Antes da viagem ao Peru, o calendário prevê o VMB 12, marcado para novembro de 2026 em Maricá, no Rio de Janeiro. A etapa deve servir como mais uma vitrine para os atletas convocados e para o crescimento da capoeira competitiva no estado.

Vídeo: VMB | A maior competição de Capoeira do Mundo! — canal VOLTA AO MUNDO BAMBAS (YouTube)

Por que o Pan-Americano importa para a capoeira

A formação de uma seleção brasileira oficial é um marco simbólico. Pela primeira vez, capoeiristas de diferentes grupos e regiões vestem a mesma camisa para representar o país em um torneio continental. Para os atletas, isso significa visibilidade, possibilidade de patrocínio e reconhecimento esportivo — algo que muitos buscam há décadas.

O torneio também mostra como a capoeira se espalhou pelas Américas. A presença de Chile, Peru, Colômbia, Costa Rica, México e Bolívia indica que existem comunidades organizadas nesses países, muitas vezes fundadas por mestres brasileiros que emigraram e formaram alunos locais. Um campeonato desse porte ajuda a conectar essas comunidades e a criar um calendário internacional.

Ao mesmo tempo, a expansão da vertente esportiva convive com um debate antigo dentro da capoeira. Muitos mestres defendem que a roda tradicional, com a bateria de berimbaus, pandeiro e atabaque, a ladainha e os corridos, é o coração da arte, e que pontuação e categorias não podem apagar a música, a malícia e a ancestralidade. As duas dimensões — a cultural e a competitiva — seguem caminhando lado a lado, e a capoeira brasileira tem a chance de mostrar no Peru que é possível competir sem perder a identidade.

Para quem acompanha a música da capoeira, o Pan-Americano também é uma oportunidade de ouvir as cantigas tradicionais ecoando em outro país. Corridos como “Paranauê” e “Marinheiro Só” são cantados nas rodas de todo o continente, muitas vezes em português por capoeiristas que não falam a língua no dia a dia.

Veja também

Fontes: Jornal de Brasília, “Brasil escala elite da capoeira para disputar o Pan-Americano 2026 no Peru” (24/09/2026); Jornal de Brasília, “Capoeiristas do DF vão ao Pan-Americano no Peru” (30/09/2026); Jornal TaguaCei (25/09/2026); Brasil em Folhas (24/09/2026); Tribuna de Minas (10/09/2026); Sul de Minas Online (17/08/2026); Cidade de Niterói (13/08/2026).

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